PARI-c vence mostra audiovisual e lança série de documentários realizados por pesquisadores indígena

por PARI-c
27 Setembro 2021

Filme “Plantando Água” da pesquisadora Graciela Guarani inaugura o selo PARI-cine vencendo a Mostra Audiovisual da IV RAS. Filme tem como tema os desafios da questão hídrica entre os povos indígenas no sertão pernambucano em meio à pandemia de Covid-19

O curta documentário da diretora Graciela Guarani, “Plantando Água”, produzido pela Plataforma de Antropologia e Respostas Indígenas à Covid-19 (PARI-c) foi o vencedor da Mostra Audiovisual 4a RAS (Mostra Audiovisual da IV Reunião de Antropologia da Saúde - Eventos Críticos e Cotidianos de Saúde). O prêmio de melhor filme foi concedido no último dia 24 de setembro pelo júri da Mostra.

“Plantando Água” é o primeiro documentário lançado pela PARI-c e integra a pesquisa que visa compreender como os povos indígenas estão vivenciando e respondendo à pandemia de COVID-19. A partir de uma rede composta de cerca de oitenta pesquisadoras e pesquisadores, a PARI-c tem desenvolvido ao longo de 2021 seus estudos de forma majoritariamente remota. Além da distância encurtada pela internet, a PARI-c também tem como característica a busca por uma equidade de gênero e pela parceria entre pesquisadores indígenas e não indígenas.

Com “Plantando Água”, a PARI-c inaugura o selo PARI-cine, que conta com uma série de produções dirigidas por indígenas que investigam questões relativas à Covid-19 e cujos títulos serão lançados nas próximas semanas.

Além da diretora Graciela Guarani, “Plantando Água” tem na co-direção das antropólogas e pesquisadoras PARI-c, Lara Erendira de Andrade e Paulidayane Lima, ambas ligadas à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e na montagem e direção de fotografia Alexandre Pankararu. O filme retrata a experiência recente do povo Kapinawá, do sertão pernambucano. Desde 2020, a comunidade da aldeia Malhador vem desenvolvendo uma experiência de implantação de cisternas e outras benfeitorias, a partir do desafio trazido pela pandemia de realizar o isolamento social num local com dificuldades históricas de acesso à água potável. O caso também foi retratado em uma nota etnográfica publicada no portal da PARI-c.

"Plantando Água é um filme fantástico, pois, ele vem daquele pressuposto de como os povos indígenas se atualizaram pra sobreviver durante a pandemia: para sobreviver, começaram a plantar águas, criar açudes”, avalia o diretor de fotografia, Alexandre Pankarau.

IV RAS

A Mostra RAS agrupa produções audiovisuais de antropólogas e antropólogos, realizadores e realizadoras de filmes, ensaios fotográficos e etnografias sonoras e ocorreu este ano virtualmente, no período de 10 a 24 de setembro de 2021.

Além de documentário “Plantando Água”, foram agraciados também com prêmio do juri popular “A solidão dos corpos negros na academia” de Renata Amaral Mesquita e Rosália C. Andrade Silva,  e com prêmio de menção honrosa da mostra audiovisual o filme “Evitável” de Julia Amorim. A Mostra da IV RAS tem por objetivo exibir produções que apresentem qualidade técnica e estética e que abordem questões antropológicas sobre pessoas, grupos sociais, processos históricos e eventos em uma perspectiva relacionada à temática da saúde.

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Os resultados da pesquisa podem ser acompanhados pelo Twitter: https://twitter.com/pari_c19 e pela página da plataforma:
www.pari-c.org.br